Forma das Unidades de Conservação

28/08/2018 15:37

QUANTO FORMA DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

Nos descritores das Unidades de Conservação, que aparecem na página do Observatório de Áreas Protegidas, é possível encontrar um dado chamado forma da unidade, que nada mais é que uma relação entre a área de uma unidade e seu perímetro. Portanto quanto mais próximo de 1 (um) for este dado, melhor é a forma da área, possibilitando maior distância entre o interior do efeito de borda nas margens.
O cálculo da forma se dá pela seguinte fórmula:  

Onde “p” é o perímetro da unidade e “a” é a área da unidade. Quanto mais próximo de 1 o resultado, mais arredondada é a borda, possibilitando maior eficácia na proteção do ecossistema.

FERRETTI (2013) propõe a utilidade da forma da unidade dentro da biogeografia a fim de constituir análise da área como uma ilha biogeográfica, dentro da Teoria Biogeográfica de Ilhas (TEBI).

A TEBI é utilizada desde a década de 1970 para o estudo do tamanho e a forma ideal para as áreas protegidas (AP). São levantados os fragmentos de habitat, quantidade, tamanhos e a distância, além dos corredores, que devem ser protegidos pelas suas características ecológicas intrínsecas. O que levou os pesquisadores a utilizar de teoria da biogeografia de ilhas em AP foi devido a essas parecerem ambientes insulares, já que os habitats naturais estão isolados (fragmentados) por espaços de produção agrícola e/ou pelos espaços urbanos (FERRETTI, 2013).
As relações entre fragmentos de habitat (como manchas na paisagem) possibilitam a partir das noções de tamanho e distância entre essas e a possibilidade de ligação via corredores, o entendimento do equilíbrio entre extinções e migrações (FERRETTI, 2013)
A forma da unidade, apresentada na figura 1, indica o possível efeito de borda em um habitat, de modo que quanto maior o contato e proximidade das alterações antrópicas, maior a destruição do habitat.

No caso de Unidades de Conservação com uma forma mais recortada (pouco circular, muito fina, etc) estão mais sujeitas ao efeito de borda, conforme demonstrado na imagem abaixo.

Figura 1: Perda de área em diferentes formas geométricas. Fonte: Ferretti, 2013.

Referência:
FERRETTI, Orlando. Os espaços de natureza protegida na Ilha de Santa Catarina, Brasil. Florianópolis: UFSC, 2013, 346 p. Tese (doutorado). Programa de Pós-Graduação em Geografia, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, 2013.